CARLOS CHAGAS -
Já imaginaram um urso polar obrigado a viver no deserto do Saara? Ou um camelo transferido para o Polo Norte?
Caso
Aécio Neves calçasse chuteiras, tornozeleiras e meiões, entrando no
gramado do Maracanã junto com a seleção brasileira, faria um papelão se
escalado para centroavante. Da mesma forma, e com todo o respeito, não
dá para entender o Ronaldo Fenômeno dizendo-se envergonhado com o atraso
nas obras da copa e, por conta disso, declarar seu apoio a Aécio Neves.
Quem pertence ao futebol geralmente se desmoraliza ao tentar a
política. E vice-versa, apesar das exceções possíveis, lá e cá. Raphael
de Almeida Magalhães, vice-governador da Guanabara era um excelente
meio-campista, assim como Romário, um razoável deputado.
Dessa
grotesca incursão do Ronaldo Fenômeno na política há uma lição a tirar:
não se deve entrar em atividade para a qual não se está preparado. O
grande craque de tempos atrás daria um excelente treinador ou
comentarista esportivo. Mas cabo-eleitoral do candidato tucano, jamais.
Quantos votos ele terá carreado para Aécio Neves?
Todo
cidadão tem o direito de externar suas opiniões a respeito dos assuntos
que bem entender. Só que se desmoraliza quem publicamente atropela
questões alheias à sua natureza. Ainda mais dentro de uma armação pueril
e primária como a que assistimos esta semana: “as obras da copa
atrasaram, por isso deve-se votar em Aécio Neves?” Depois, concluem que
marqueteiros não fazem falta nas campanhas…
BALAIO DOS INSATISFEITOS
Tem
de tudo no balaio dos insatisfeitos com a copa. Jovens concluindo que o
dinheiro gasto com os estádios de futebol teria sido melhor empregado
na construção de escolas e hospitais, ou utilizado para melhorar os
transportes coletivos. Categorias mal-pagas paralisando suas atividades
para chantagear o poder público num período de fraqueza. Arruaceiros
dispostos a tirar proveito pessoal de manifestações violentas.
Oposicionistas empenhados em influenciar as eleições de outubro torcendo
pela derrota do selecionado brasileiro. Ranzinzas sem ter o que fazer. E
vai por aí.
Esquecem-se todos de que por mais que o certame empolgue o país, trata-se apenas de uma competição esportiva...



